Textos

Graduada em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais adentrei-me nas histórias dos mitos gregos. Tais estudos feitos, me fizeram questionar sobre os mitos pertencentes a minha história, a minha origem. Desse modo, tornou-se para mim, necessário resgatar os mitos africanos, mais especificamente, dos Deuses Iorubanos.

No período de 2007 a 2010, realizei em Salvador, na Bahia, mais precisamente no Pelourinho, na Praça Terreiro de Jesus uma experiência que consistia em uma volta às minhas origens, em busca dos mitos que ouvi na minha infância. Neste local, entrevistei e ouvi os relatos míticos de várias pessoas; a maioria mulheres, negras, senhoras e muitas delas analfabetas. Dentre essas pessoas, existia Hilda, uma senhora já idosa, com seus 100 anos, mas extremamente lúcida. Hilda contou a sua história com Iemanjá e me apresentou também a outras mulheres com as quais dialoguei e ouvi seus respectivos relatos. Foram mais de cem depoimentos que narravam as vivências desses entrevistados a partir dos mitos africanos.

Tal experiência apresenta diversas significações, seja quanto a história dos mitos, quanto a história dos entrevistados e, principalmente, quanto a minha história. Para mim, a importância desse resgate se traduz pelo retorno às minhas origens, como processo de cura. Bahia, para mim, é útero em todos os sentidos. Minha experiência trouxe a memória do que havia se perdido na infância. É o resgate de valores perdidos, o resgate também da força e sabedoria dessas mulheres.

Leia os textos do Projeto Tesouros da Mãe África